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6 livros infantis sobre uso de telas e brincar ao ar livre

Em um mundo onde telas estão por toda parte, pais e educadores se perguntam: quanto tempo de tela é demais?
Tempo de leitura: 5 minutos

Pesquisas recentes ligam o uso excessivo de telas a consequências no desenvolvimento cognitivo, linguístico e socioemocional das crianças, enquanto brincar ao ar livre aparece como um antídoto poderoso para esses riscos.

Neste post, você vai entender o que a ciência diz sobre o excesso de telas, por que brincar fora das telas é tão importante, e, caso esteja difícil convencer a criançada a sair das telas, vai também conhecer livros ilustrados que podem ser usados para um início de conversa.

O que a evidência científica mostra?

  • Associação entre tempo excessivo de tela e piores resultados cognitivos e de linguagem: estudos identificam correlações entre maior exposição a telas (incluindo TV e dispositivos portáteis) e piores medidas de cognição, atenção e desenvolvimento da linguagem em crianças pequenas (Fonte: JAMA Pediatrics)
  • Efeitos no sono, saúde e atividade física: maior tempo de tela está associado a pior qualidade do sono, menor atividade física e indicadores metabólicos menos favoráveis – todos fatores que impactam o desenvolvimento geral. (Fonte: OMS)
  • Brincar ao ar livre melhora múltiplas áreas do desenvolvimento: estudos sistemáticos mostram que o tempo e a qualidade da brincadeira ao ar livre promovem atividade física, habilidades motoras, criatividade, regulação emocional e competências sociais, além de beneficiar a atenção e a aprendizagem. (Fonte: International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity)

Ilustração do livro “Além das Nuvens”, escrito por Thiago Franco e ilustrado por Bruna Lubambo (Movi, 2025)

Não é só “quanto” de tela, mas também “como” e “onde”

A comunidade científica e as entidades pediátricas têm evitado recomendações puramente rígidas sobre limites de tempo de tela. No lugar, aparecem orientações que consideram o contexto, o tipo de conteúdo e se há ou não mediação parental. Ou seja:

O problema não é a tela por si só, mas o que ela está substituindo.

Pesquisadores alertam que o ambiente familiar (conversas, qualidade das interações e regras) muitas vezes importa tanto quanto a quantidade de tempo de tela. Guias recentes também enfatizam a importância de conteúdo de qualidade, atividade compartilhada e rotinas que protejam sono e refeições.

Por que brincar ao ar livre é tão poderoso?

  1. Desenvolvimento motor completo
    Correr, subir, pular, equilibrar e explorar o ambiente fortalece a coordenação motora, a musculatura e a saúde física geral.
  2. Estímulo à criatividade e resolução de problemas
    Ambientes naturais são imprevisíveis: barro, pedras, água, folhas, insetos… Tudo vira matéria-prima para imaginar, construir e descobrir.
  3. Fortalecimento da saúde mental
    O contato com a natureza reduz o estresse, melhora o humor e aumenta a sensação de bem-estar.
  4. Interação social:
    Brincadeiras ao ar livre favorecem cooperação, negociação, desenvolvimento de empatia e habilidades sociais.
  5. Atenção e aprendizagem
    Estudos mostram que crianças que passam mais tempo em ambientes naturais têm melhor capacidade de foco e desempenho escolar.

Exercitar a imaginação é essencial para brincar livremente (Além das Nuvens, 2025)

Recomendações práticas

  • Priorize brincadeira ao ar livre diariamente: ao menos parte do tempo de recreio e brincadeira livre em espaços externos todos os dias; estudos associam isso a gains físicos, sociais e cognitivos.
  • Crie rotinas sem telas em momentos-chave: refeições, trajetos curtos, e a última hora antes de dormir devem ser, quando possível, livres de dispositivos, para melhorar sono e linguagem.
  • Prefira conteúdo de qualidade e visualização conjunta: para crianças pequenas, conteúdos educativos com um adulto que interaja e expanda a experiência geram melhores resultados do que consumo passivo.
  • Ofereça alternativas atrativas às telas: espaços seguros para brincar, materiais não digitais (blocos, desenhos, livros), e oportunidades para brincar com outras crianças e na natureza.

 

6 livros sobre o uso de telas e o brincar


Além das Nuvens

Thiago Franco, Bruna Lubambo (Movi, 2025)

Nessa história oral que virou livro, Nuno perde a vontade de brincar com os formatos das nuvens e prefere as telas. Até que um encontro inesperado obriga ele a se reconectar com a própria imaginação e a natureza. As ilustrações feitas em tecido e bordadas à mão remetem à materialidade das brincadeiras.



Desligue e Abra

Ilan Brenman, Veridiana Scarpelli (Moderna, 2022)

Aqui o livro é o próprio narrador que interage com o leitor de uma forma ativa. Ele próprio sugere pegar esse objeto (livro) e brincar, equilibrar, jogar para cima, etc, reconectando-se com o mundo físico.


Quero Brincar e Está de Noite

Janaina Tokitaka, Talita Nozomi (Pallas Míni, 2018)

Parte de uma coleção de quatro livros sobre brincar livre (sem brinquedos), este começa com um problema: a casa ficou sem energia e interrompeu o jogo de videogame, mas a criança ainda quer brincar. Como fazer? O texto curto faz e as belas ilustrações fazem com que seja ideal também para leitores iniciantes.



A Garrafa

Patricia Auerbach (Brinque-Book, 2018)

Uma garrafa não é só uma garrafa, ela pode ser muitas coisas nas mãos de uma criança que usa sua imaginação. Um livro-imagem (isso, aquele que não precisa de um texto) fácil de “ler”, que é também uma homenagem à capacidade das crianças de ressignificar objetos do cotidiano.


 


FLORA, VAMOS BRINCAR?

Stela Barbieri, Fernando Vilela (Binah, 2024)

Neste livro não temos propriamente telas, mas brincadeiras vindas de uma época em que as telas não existiam. É sobre aquilo que foi em boa parte substituído pelas telas, um resgate de parlendas orais que atravessaram gerações, ilustrado com fotografias.


 


Detetive Chapeuzinho e o Mistério da Sombra Digital

André Rodrigues, Larissa Ribeiro, Paula Desgualdo, Pedro Markun (Sabichinho, 2023)

Já que a tela é inevitável, melhor usar sabendo dos riscos. Este livro, que saiu de conversas com crianças, explica como funcionam as redes sociais e como navegar com alguma segurança neste reino onde nem tudo é o que parece ser. E o melhor de tudo: pode ser baixado gratuitamente.


Vamos brincar!

Brincar fora das telas não deveria ser um luxo. É uma necessidade biológica e social. Ao equilibrar o uso de tecnologia com experiências reais, movimento e contato com a natureza, oferecemos às crianças o ambiente ideal para desenvolver suas habilidades cognitivas, sociais e emocionais.

Promover mais brincadeiras ao ar livre, em contato com a natureza, é uma das decisões mais poderosas que pais, cuidadores e escolas podem tomar para apoiar o desenvolvimento saudável das novas gerações.

 

Brincadeiras ao ar livre favorecem cooperação, negociação, desenvolvimento de empatia e habilidades sociais (ilustração do livro Além das Nuvens)

Publicado por

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Peter Füssy
Ex-jornalista, designer multimídia, pesquisador, migrante, ativista de mobilidade e cozinheiro particular do Tom. Depois de morar por quase 4 anos em Amsterdam, Peter converteu-se de jornalista de carros a escritor anticarros. É fundador da Movi e autor de dois livros ilustrados

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